sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Dores abertas.

Não vou mentir. Minha pele ainda sente falta da sua, minha boca resseca na falta de seu beijo, minhas mãos imploram pelos toques, imploram para sentir suas texturas.
Não vou mentir, quando juntas, sonhava com futuros distantes e com um presente até então nunca vivido.
Não vou mentir, quero que sejas muito feliz junto de seu novo amor, de todo o meu coração, que após toda essa mutilação, finalmente bate em sincronia com a razão, escapando por vezes para tentar ao vicio voltar, mas não.. não vai durar.
Te desejo toda a felicidade do mundo, junto de sua nova mulher, não lhe desejo coisas ruins, não é preciso, você mesma as trazem pra sua vida.
Nunca te tratarei com indiferença, apenas não te tratarei, não teremos oportunidades para por em prova meu coração, e isso não lhe fará a menor diferença. Mas eu sei, ah minha querida, eu sei, um dia tudo isso será invertido, trocarás de campo comigo, e de outra, esta que estará habitando todo o seu coração, lhe dando razão para viver, terás indiferença tamanha, que você, não suportarás receber.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O que já era passado ainda habitava por vezes sua cama, nas tardes de sol.
Respirava junto de seu ouvido, ardia em unhas cravadas no seu corpo.
Sua pele em súplica, pedia por sua chama.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Fim. O Fim.

Estava com medo, precisava ir, ficar ali por mais algum tempo lhe traria danos irreparáveis.
Soltou o ar com gratidão e em visão lateral percebeu que ela ali estava, retornou a seu foco e lhe pediu para que fosse pra longe, e com fôlego tirado as pressas, correu.
Assumiu o seu posto e naquele meio tempo se permitiu viver, de maneira desigual, se abriu e viveu, viveu e sonhou, sorriu e sorriu.
Chovia com ingratidão, de modo a lavar todos e quaisquer rumores de sonhos que ali já haviam sido sonhados. Gritou e expulsou, mandou-a para longe, para que fosse para longe enganar.
O sol excomungava toda alma que ousava se expor.

Trancou-se então, e mergulhou desta vez, em sua outra dimensão. Ali grande e coerente, habitou sem vazios.

Tudo sem possibilidades de volta, sem reparos, sem ensaios.

Ressurgiu enfim, sós.
Autopsicografia

O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Lugar de roupas. Entenda pois pois.

Bateu na porta e pediu para entrar, se trancou junto dela e prometeu não atrapalhar. Pendurou o que vestia e abaixou-se para não se incomodar, dobrou com delicadeza para se aconchegar.
Respirou com cuidado, para não deixar escapar.
Pela fresta via o mundo, sentia uma maneira louca se manifestar.

Passado. com P maiúsculo.

Havia a amado tanto. Tudo estava terminado então, mas seu nome ela ainda gemia naquelas horas em que acontecia.


Se lembrava, de toda ingratidão.