domingo, 30 de novembro de 2008

em mim. em minha face está estampada em preto esculachado a palavra hipocrisia. se há pessoa hipócrita nesse mundo, essa sou eu.


tornar-me-ia menor, por assumir o quão o sou?
a hipocrisia está nas pessoas assim como o transparente está no ar. não há uma só pessoa que não seja hipócrita, todos somos. senão por uma coisa,por outra. é assim e vai ser.

domingo, 23 de novembro de 2008

entre sem bater, nos móveis espalhados pela sala vazia.
crua na cama vestindo sombrinhas. hoje a noite viria em prantos. derrubando-se em rios logo ali na rua que beirava.
corria imenso, seus sapatos furados, suas blusas justapostas em branco e amarelo anil junto de seu cachecol hoje vermelho, vermelho pelo sangue quente derramado pelos olhos, olhos de menino que vê a vida sem piscar, sem viver, sem gostar. mas sorri, sorri o riso da menina em desfoque nos vidros da cidade, tão suja, ela menina, que vinha e me roubava, resgatava o calor, do coração musgo verde, escorregadio liso e verde.
junto de seu rosto, colado às linhas, enfileiradas, agora nem tão mais desfocadas, mas lidas, enumerando uma a uma no papel a tira colo.
caneta em punho e facas na cintura, a realidade era crua. crua e de sombrinhas.
Sabe, aquelas pessoas que estão sempre (ou quase sempre) com o cabelo impecavelmente arrumado, maquiagem perfeita, roupas limpas e na moda. Que são meigas, fofas, doces, e que todo mundo tem vontade de guardar em um potinho. Então, elas não tem nada a ver comigo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O sono sem dor o agradava. O problema de tudo, era a dor. As dores. Suporta-las, ter de suporta-las, isso lhe dava medo. Pânico.
Mas a ida, ah, a ida sem volta o fascinava, o encantava. Sonhava. A sós.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Lua em prantos, o céu em pedaços e no chão, uma última garrafa de whiskey barato, o resto. Os restos. De uma vida, uma vinda inteira atirada ao chão, sem cerimônias.
Já não mais sabia. O copo em suas mãos de esmaltes lascados e unhas quebradas, sujas, o copo estava por encher, quase vazio, tão vazio quanto seu coração, agora. A vida desfez-se. A lua, ah, a lua menina, em prantos, gritava, implorando por um pouco, um pouco de paz. Seus olhos já não podiam ver.
Agora o que seria feito com aquela vida? Aquela, da menina, quebrou-se e seus cacos, frenéticos, espalharam-se pelas árvores, tão quietas, árvores. Perderam-se de seus olhos, olhos passados, de rímel borrado, olhos secos, brancos, pálidos, esturricados. Implorando, além, por uma volta.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ele não sabe nada sobre você e você tem que fugir. precisa correr para longe antes que todos aqueles olhares de todas aquelas pessoas amargas te alcancem.
a forma com que a vida ia crescendo dentro do circulo era espetacular. mesmo não vendo o sol todos os dias, ela sorria.
cada vez mais que eu me sentia perto, o vento vinha e jogava-te para longe. longe onde eu o visse, mas me era tão frio. em uma imensidão tão assustadora que coragem não dava, de abrir os olhos de manhã.

domingo, 2 de novembro de 2008

resolvi enfim me livrar de todas as pessoas que me irritavam e me davam asco. me vi então, num dia de sol, sentada debaixo de uma árvore com a única companhia que havia me restado, um espelho.