domingo, 23 de novembro de 2008

crua na cama vestindo sombrinhas. hoje a noite viria em prantos. derrubando-se em rios logo ali na rua que beirava.
corria imenso, seus sapatos furados, suas blusas justapostas em branco e amarelo anil junto de seu cachecol hoje vermelho, vermelho pelo sangue quente derramado pelos olhos, olhos de menino que vê a vida sem piscar, sem viver, sem gostar. mas sorri, sorri o riso da menina em desfoque nos vidros da cidade, tão suja, ela menina, que vinha e me roubava, resgatava o calor, do coração musgo verde, escorregadio liso e verde.
junto de seu rosto, colado às linhas, enfileiradas, agora nem tão mais desfocadas, mas lidas, enumerando uma a uma no papel a tira colo.
caneta em punho e facas na cintura, a realidade era crua. crua e de sombrinhas.

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